Melô da canceriana ou mínima provisória
Não adianta pensar muito e fazer pouco ou nada. Essa é a máxima dos meus conflitos burgueses. Burgueses do tipo sempre prestes a não conseguir pagar o aluguel seguinte. Ainda assim profundamente burgueses. E eis a raiz da questão: penso comigo e faço com os outros. Pelos outros. Pra alguém. Por você. Pro espectador. Pra quem lê. Pra quem ouve. Praquele grande amigo. E tudo pro meu maior amor. E mais ainda pela minha filha. Páreo duro com a minha mãe. E tem meu pai. Por ele eu morro. E minha irmã, e meu irmão, e meu vizinho que é pai da amiga da minha filha, casado com a amiga da minha amiga que é madrinha da minha sobrinha que por algum motivo pra mim precisa ser agradada por mim. Não sou do tipo que defende a fome, votou no Bolsonaro ou que simplesmente não pensa em nada disso. Mas isso é que mínimo. Sou o mínimo. Mínima.