toda vez os dedos
entrar pela porta da frente mas de cabeça baixa mas de pés calçados mas de dedos apontando o caminho para não mais perder. todas as carteiras enfileiradas, todos os armários enfileirados, todos os lápis de cor de todas as cores de todas as gentes enfileirados
a fila da cantina sempre pendendo mais pra direita
porque desse lado é mais fácil olhar o campo de futebol
bola pra lá bola pra cá todo esse barulho bate na grade bate no pé bate na cabeça
o lado esquerdo como um imã só de mim
e não dos outros
quanto menos bola batendo melhor
um pão de queijo, um todynho, uma 7-belo, bota na minha conta, minha mãe vai pagar
minha mãe vai pagar minha mãe vai pagar minha mãe vai pagar
um pé na frente do outro pé, dedo após dedo, um pé, outro pé, outro pé, todos os pés esquerdos. todos os 8 pés esquerdos, um polvo de pés esquerdos. agora perdido, esquecido dos dedos, toda vez os dedos. é preciso voltar pro início pra achar o fim. sair pela porta da frente atrás de mim que acabei de passar contando os caminhos
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